Leitura
💊 Cefaleia · Enxaqueca Crônica · European Journal of Neurology 2026
Erenumab and OnabotulinumtoxinA in Chronic Migraine: A Comparative Analysis
Erenumab e OnabotulinumtoxinA na enxaqueca crônica: análise comparativa
Garcés-Pellejero M, Torres-Ferrús M, Mas-de-les-Valls R, Caronna E, Alpuente A, Giné-Ciprés E, Pozo-Rosich P · Headache Unit, Hospital Universitari Vall d'Hebron / Headache Research Group, VHIR · Barcelona, Espanha
Eur J Neurol 2026; 33:e70654 🔓 Open Access · Estudo de coorte prospectivo Vall d'Hebron · UAB ⏱ ~20 min

Por que este artigo é importante

Qualquer neurologista que trabalha com cefaleia conhece a seguinte situação: um paciente com enxaqueca crônica que não respondeu a dois ou três preventivos orais chega à consulta com indicação para iniciar tratamento avançado. A pergunta que se coloca é imediata e prática: erenumab ou toxina botulínica? Dois medicamentos com eficácia estabelecida, perfis de segurança favoráveis e mecanismos de ação completamente distintos. O que deveria guiar a escolha entre eles?

Até este artigo, não havia uma resposta baseada em comparação direta. Sabíamos que ambos eram superiores ao topiramato em ensaios fase 4 com desenho semelhante. Sabíamos que ambos reduziam a frequência de cefaleia em estudos de vida real. Mas nunca haviam sido colocados frente a frente em um estudo prospectivo com critérios de inclusão padronizados, avaliação de desfechos relatados pelo paciente e seguimento estruturado. A escolha entre os dois, na prática, era guiada por critérios burocráticos de reembolso, preferência do paciente pela via subcutânea versus injeção intramuscular, ou simplesmente pela experiência prévia do neurologista com um dos dois tratamentos.

💡 O que este estudo responde pela primeira vez
Este é o primeiro estudo prospectivo a comparar erenumab e onabotulinumtoxinA para prevenção da enxaqueca crônica usando coortes com critérios de inclusão idênticos, provenientes de três ensaios clínicos fase IV independentes conduzidos pela mesma equipe. Não é um ensaio randomizado de comparação direta, uma ressalva metodológica importante, mas é a evidência comparativa mais rigorosa disponível. O grupo de Patricia Pozo-Rosich no Vall d'Hebron, uma das unidades de cefaleia de referência europeia, reúne aqui dados que o campo aguardava.

A resposta principal é ao mesmo tempo tranquilizadora e, em certo sentido, desconcertante para quem esperava uma vantagem clara de um dos dois medicamentos: ambos são igualmente eficazes na redução da frequência de cefaleia. Mas a história não termina aí. Quando se olha além da contagem de dias de cefaleia, um diferencial emerge, e ele tem implicação clínica real na escolha do tratamento.

Contexto: de onde viemos e por que isso importa

A enxaqueca crônica, definida como 15 ou mais dias de cefaleia por mês, dos quais 8 ou mais com características de enxaqueca, por pelo menos 3 meses, afeta entre 0,5% e 2,4% da população mundial. É uma condição incapacitante que compromete produtividade, qualidade de vida e gera custo econômico substancial. O arsenal preventivo tradicional oral, que inclui topiramato, propranolol, amitriptilina e valproato, é limitado por tolerabilidade precária. Apenas 14% dos pacientes com enxaqueca crônica mantêm preventivos orais após 1 ano de tratamento, uma taxa de abandono que deveria fazer qualquer prescritor refletir sobre o quanto esses medicamentos realmente funcionam na prática.

A onabotulinumtoxinA (OnabotA) chegou primeiro, aprovada pelo FDA em 2010 com base nos ensaios PREEMPT 1 e 2. O mecanismo pelo qual a toxina botulínica previne a enxaqueca não é completamente elucidado, mas envolve inibição da liberação de neuropeptídeos pró-inflamatórios nos terminais periféricos do trigêmeo, com efeito antinociceptivo que vai além do relaxamento muscular. A administração é trimestral, com 31 a 39 injeções distribuídas em músculos crânio-cervicais segundo o protocolo PREEMPT.

🧬 Mecanismos distintos, alvos convergentes
O erenumab é um anticorpo monoclonal totalmente humano IgG2 que bloqueia o receptor de CGRP (calcitonin gene-related peptide). O CGRP é o principal mediador da vasodilatação e transmissão nociceptiva no sistema trigeminovascular: está elevado no sangue venoso durante crises de enxaqueca, e sua administração exógena pode desencadear crises em pacientes com enxaqueca. O erenumab atua preventivamente ao impedir que o CGRP se ligue a seu receptor. A administração é subcutânea mensal. A OnabotA, por outro lado, bloqueia a liberação de vesículas de acetilcolina e neuropeptídeos, inibindo a sensibilização periférica dos aferentes do trigêmeo. Os dois medicamentos convergem no resultado clínico (menos dias de cefaleia) por vias mecanísticas fundamentalmente diferentes.

Em comparações indiretas com topiramato em ensaios randomizados, os resultados foram expressivos para os dois. A OnabotA, no estudo FORWARD, alcançou resposta de redução de 50% ou mais na frequência de cefaleia em 40% dos pacientes na semana 32, contra 12% do topiramato, com taxa de descontinuação por efeitos adversos de apenas 1%, comparado a 42% com topiramato. O erenumab, em ensaio randomizado duplo-cego contra topiramato, obteve resposta de 50% em 55,4% dos pacientes, contra 31,2% com topiramato, com abandono de 10,6% versus 38,9%. Números que colocam ambos em uma categoria diferente dos preventivos tradicionais, mas que não dizem nada sobre qual dos dois escolher quando o paciente já preenche critério para um tratamento avançado.

O estudo

Trata-se de uma comparação prospectiva entre duas coortes de pacientes com enxaqueca crônica, recrutadas em três ensaios clínicos fase IV independentes conduzidos pela mesma equipe no Vall d'Hebron. As coortes compartilhavam critérios de inclusão idênticos: adultos de 18 a 65 anos com enxaqueca crônica pela ICHD-3, sem preventivos concomitantes e sem comorbidades psiquiátricas ou de dor crônica. Uma coorte recebeu erenumab 140 mg subcutâneo mensal; a outra, onabotulinumtoxinA 195 UI a cada três meses pelo protocolo PREEMPT. O seguimento foi de 6 meses com avaliação no basal, 3 e 6 meses.

Características do estudo e da amostra

DesignCoorte prospectiva, comparação indireta de dois braços de ensaios fase IV
N total analisado114 pacientes (57 por grupo)
Sexo feminino84–86% em ambos os grupos
Idade mediana42 anos (Erenumab) · 40 anos (OnabotA)
Duração da enxaqueca25 anos (Erenumab) vs 15 anos (OnabotA) — p < 0,001
Frequência basal de cefaleia (MHD)17 dias/mês (Erenumab) · 18 dias/mês (OnabotA)
Frequência basal de enxaqueca (MMD)10 dias/mês (Erenumab) · 12 dias/mês (OnabotA)
Uso mensal de analgésicos (MAMI)11 dias em ambos os grupos
Duração do seguimento6 meses (avaliações no basal, 3 e 6 meses)

Um desequilíbrio importante entre os grupos merece atenção: os pacientes do grupo erenumab tinham duração de enxaqueca significativamente maior (25 versus 15 anos, p < 0,001). Isso não é surpresa, pois nos critérios de reembolso em vigor na Espanha o erenumab era indicado após falha de preventivos incluindo OnabotA, o que seleciona uma população com doença mais longa e, implicitamente, mais refratária. Os autores discutem esse viés de seleção, mas ele deve ser considerado na interpretação dos resultados comparativos, especialmente os de desfecho funcional.

Resultados principais: eficácia na frequência de cefaleia

A pergunta central, redução na frequência de dias de cefaleia e de enxaqueca, foi respondida de forma inequívoca: ambos os medicamentos funcionam, e de forma estatisticamente equivalente entre si. Não houve diferença significativa na magnitude da redução de MHD ou MMD em 3 ou 6 meses quando os grupos foram comparados diretamente.

Redução de frequência — Erenumab vs OnabotulinumtoxinA aos 6 meses

Redução em dias de cefaleia/mês (MHD) — Erenumab−7,93 dias (DP 5,81) · p < 0,001
Redução em dias de cefaleia/mês (MHD) — OnabotA−6,00 dias (DP 5,84) · p < 0,001
Diferença entre tratamentos (MHD)Não significativa
Redução em dias de enxaqueca/mês (MMD) — Erenumab−5,36 dias (DP 5,12) · p < 0,001
Redução em dias de enxaqueca/mês (MMD) — OnabotA−4,31 dias (DP 5,32) · p < 0,001
Diferença entre tratamentos (MMD)Não significativa
Redução no uso de analgésicos (MAMI) — Erenumab−4,68 dias (DP 4,60) · p < 0,001
Redução no uso de analgésicos (MAMI) — OnabotA−3,24 dias (DP 4,84) · p < 0,001

Os resultados em 3 meses seguem o mesmo padrão. A redução com erenumab foi de −7,44 MHD e −4,98 MMD; com OnabotA, −5,68 MHD e −3,98 MMD, ambas com p < 0,001, sem diferença significativa entre os grupos. A velocidade de resposta, portanto, é comparável. Não há evidência de que um tratamento aja mais rapidamente que o outro nas primeiras semanas.

O diferencial que a contagem de dias não captura: desfechos relatados pelo paciente

Aqui está o achado que transforma a narrativa do artigo. Quando se olha além do número de dias de cefaleia e se avalia o impacto funcional e emocional do tratamento, os dois medicamentos se comportam de forma distinta, e a diferença é clinicamente relevante.

Desfechos relatados pelo paciente (PROs) — comparação entre grupos aos 6 meses

Incapacidade — MIDAS — Erenumab−41,61 pontos · p < 0,001
Incapacidade — MIDAS — OnabotA−14,23 pontos · p = 0,090 (não significativo)
Diferença no MIDAS entre tratamentosSignificativa em 3 e 6 meses · p < 0,05
Ansiedade — BAI — Erenumab−6,20 pontos · p < 0,001
Ansiedade — BAI — OnabotA (6 meses)−3,26 pontos · p = 0,130 (não significativo)
Depressão — BDI-II — Erenumab−4,02 pontos · p = 0,002
Depressão — BDI-II — OnabotA (6 meses)−0,57 pontos · p = 0,571 (não significativo)
Impacto — HIT-6 — Erenumab−10,12 pontos · p < 0,001
Impacto — HIT-6 — OnabotA−6,11 pontos · p = 0,001
Qualidade de vida — MSQ — Erenumab+19,25 pontos · p < 0,001
Qualidade de vida — MSQ — OnabotA+14,64 pontos · p = 0,002
💡 O paradoxo dos dias iguais e das vidas diferentes
Ambos os tratamentos reduzem a frequência de cefaleia de forma equivalente. Mas o paciente tratado com erenumab, ao final de 6 meses, apresenta redução significativa na incapacidade (MIDAS), na ansiedade (BAI) e na depressão (BDI-II). O paciente tratado com OnabotA não apresenta melhora estatisticamente significativa nessas dimensões. Isso não significa que a toxina botulínica não melhora a vida do paciente, o HIT-6 e o MSQ melhoram com ambos. Mas o erenumab parece ter um alcance terapêutico mais amplo, que vai além da simples redução de dias de dor e toca dimensões funcionais e emocionais que a contagem de episódios não captura.

O MIDAS (Migraine Disability Assessment Scale) merece atenção especial. É a escala que quantifica perda de produtividade e incapacidade funcional causada pela enxaqueca, distribuída em domínios de trabalho, tarefas domésticas e atividades sociais. O erenumab reduziu o MIDAS em 41,6 pontos, uma magnitude expressiva que atingiu significância tanto em 3 quanto em 6 meses. O OnabotA reduziu 14,2 pontos, mas essa diferença não atingiu significância estatística em nenhum dos dois pontos de tempo. A diferença entre os tratamentos no MIDAS foi estatisticamente significativa, sendo este o único desfecho com superioridade clara de um tratamento sobre o outro.

Os autores reconhecem que a coorte OnabotA apresentava desvio considerável nos valores basais de MIDAS, o que, combinado com o tamanho amostral relativamente pequeno, pode explicar em parte a falta de significância. Mas, mesmo considerando essa limitação, a consistência do sinal em favor do erenumab nos desfechos de incapacidade e humor em múltiplos pontos de tempo é difícil de ignorar clinicamente.

Segurança e tolerabilidade: perfis distintos, ambos gerenciáveis

Eventos adversos não graves foram relatados em 35,1% dos pacientes no total. O perfil de eventos foi, como esperado, radicalmente diferente entre os dois tratamentos, refletindo suas vias de administração e mecanismos completamente distintos.

Erenumab — eventos adversos
OnabotulinumtoxinA — eventos adversos

A constipação do erenumab, decorrente da inibição do receptor de CGRP no trato gastrointestinal (onde o CGRP tem papel na motilidade intestinal), é um efeito de classe conhecido de todos os anticorpos anti-CGRP. Em geral é leve a moderada e manejável com intervenções dietéticas. Para pacientes com constipação pré-existente, essa informação deve pesar na escolha. Os eventos da OnabotA, especialmente dor cervical e alterações estéticas transitórias, são igualmente esperados e bem documentados, decorrentes da difusão local da toxina.

Discussão: o que esses dados significam na prática

O estudo foi desenhado a partir de uma necessidade real: sem comparação direta, a escolha entre erenumab e OnabotA era baseada em preferência e em critérios de reembolso, não em dados clínicos. Os autores propõem, com base nesses resultados, que ambos poderiam ser considerados opções de primeira linha para prevenção da enxaqueca crônica, com a escolha orientada pelo perfil individual do paciente.

🧬 Quando considerar cada tratamento
Os dados sugerem que o perfil do paciente deve guiar a escolha. Erenumab pode ser preferido quando o paciente tem incapacidade funcional significativa (MIDAS alto), ansiedade ou depressão comórbidas não tratadas com farmacoterapia específica, e quando a administração subcutânea mensal domiciliar é uma vantagem logística. A OnabotA pode ser preferida em pacientes com constipação prévia relevante, em mulheres que planejam gravidez (o perfil de segurança gestacional da toxina botulínica é mais estudado), ou quando a preferência por uma administração trimestral supervisionada facilita a aderência e o seguimento clínico estruturado.

Uma ressalva metodológica fundamental precisa ser destacada com clareza: este não é um ensaio randomizado de comparação direta. As coortes vieram de três ensaios fase IV distintos, com comparação indireta. Apesar dos critérios de inclusão serem idênticos e os grupos estarem balanceados na maioria das características basais, a diferença significativa na duração da doença entre os grupos (25 versus 15 anos) e a ausência de randomização introduzem vieses de seleção que não podem ser completamente controlados por modelagem estatística. Os resultados devem ser interpretados como evidência de grau B, não como equivalente a um ensaio randomizado cabeça a cabeça.

⚠ Conflito de interesse a considerar
O estudo de erenumab (EudraCT 2019-002224-32) recebeu financiamento da Novartis, fabricante do erenumab (Aimovig). Os autores declararam isso com transparência, e os dois outros ensaios tiveram financiamento público (Instituto Salud Carlos III, Era-Net Neuron). A vantagem observada do erenumab nos desfechos de incapacidade e humor é biologicamente plausível e consistente com dados da literatura, mas esse conflito de financiamento não deve ser ignorado na interpretação. A ausência de diferença em frequência de cefaleia, o desfecho primário mais objetivo, é um achado que não beneficia claramente a Novartis, o que reforça a credibilidade dos dados de eficácia principal.

Implicações para a segunda-feira de manhã

Para o neurologista que atende pacientes com enxaqueca crônica, este artigo oferece três contribuições práticas imediatas. Primeira: a ausência de diferença na frequência de cefaleia entre os dois tratamentos significa que a escolha não precisa ser guiada por "qual é mais eficaz", porque eles são equivalentes nesse desfecho. A escolha pode e deve ser guiada por outros critérios: perfil de efeitos adversos, comorbidades, logística de administração, cobertura assistencial, e, agora com mais fundamento, impacto sobre incapacidade funcional e humor.

Segunda: a superioridade do erenumab no MIDAS tem relevância clínica direta. O MIDAS não mede dor, mede o impacto da dor sobre a vida do paciente. Para o paciente que perdeu dias de trabalho, que deixou de participar de atividades sociais, que está comprometido funcionalmente, a diferença de 41 pontos versus 14 pontos de redução no MIDAS é a diferença entre voltar a trabalhar com regularidade ou não. Esta dimensão deveria integrar a decisão terapêutica.

Terceira: a melhora nos escores de ansiedade e depressão com erenumab, sem equivalente significativo com OnabotA neste estudo, levanta uma questão mecanística interessante. O CGRP tem papel em circuitos de processamento emocional e ansiogênese além de seu papel na nocicepção. Bloqueio do receptor de CGRP pode ter efeitos psicotrópicos independentes da simples redução da dor. Isso não é conclusivo com base neste estudo, mas é uma hipótese com fundamento biológico que estudos futuros deveriam examinar.

📌 Take-Home Messages — Erenumab vs OnabotulinumtoxinA

1
Erenumab e onabotulinumtoxinA reduzem a frequência de cefaleia de forma equivalente após 3 e 6 meses. Ambos produzem reduções significativas e clinicamente relevantes em MHD e MMD, sem diferença estatística entre os grupos. A pergunta "qual é mais eficaz" não tem resposta diferencial com base nos dados disponíveis, o que libera a escolha para outros critérios.
2
O erenumab teve superioridade significativa sobre a OnabotA na redução de incapacidade funcional (MIDAS) em 3 e 6 meses. A diferença foi de −41,6 pontos com erenumab versus −14,2 pontos com OnabotA (não significativo). Para pacientes com alto impacto funcional, o erenumab oferece evidência mais sólida de benefício nesse domínio.
3
O erenumab melhorou significativamente ansiedade e depressão; a OnabotA não atingiu significância nesses desfechos aos 6 meses. Escalas BAI e BDI-II melhoraram com erenumab (p < 0,001 e p = 0,002); com OnabotA, as reduções não foram significativas. Em pacientes com ansiedade ou depressão comórbidas não medicadas, esse diferencial é clinicamente relevante.
4
Este é o primeiro estudo prospectivo a comparar diretamente os dois tratamentos com critérios de inclusão padronizados, mas não é um ensaio randomizado. A comparação é indireta entre três ensaios fase IV distintos, com desequilíbrio na duração de doença entre grupos. Os resultados são evidência de grau B, não equivalentes a um RCT cabeça a cabeça.
5
A constipação é o principal efeito adverso do erenumab (30,9% dos relatados); dor cervical e alterações estéticas transitórias são os mais frequentes com OnabotA. Ambos são não graves e manejáveis. Para pacientes com constipação crônica ou síndrome do intestino irritável, a OnabotA pode ser a opção mais tolerável.
6
Baixa adesão aos preventivos orais (14% no 1 ano) reforça a importância clínica de dois tratamentos com perfil de tolerabilidade superior ao topiramato. OnabotA obteve 1% de abandono por efeitos adversos versus 42% do topiramato; erenumab, 10,6% versus 38,9%. Esses números deveriam ser os que guiam a indicação, não critérios burocráticos de falha de preventivos orais.
7
A escolha entre erenumab e OnabotA deve ser personalizada para o perfil do paciente. Erenumab favorecido quando há alta incapacidade funcional (MIDAS elevado), ansiedade ou depressão comórbidas, e preferência por autoadministração mensal. OnabotA preferida quando há constipação prévia relevante, em contextos de maior monitoramento clínico estruturado, ou quando o financiamento da OnabotA é mais acessível no sistema local.